Ei... espera! Estamos falando da mesma coisa?
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Certamente essa pergunta já deve ter sido feita para você ou por você algumas vezes, não?
Sabemos como é imprescindível nos comunicarmos adequadamente e fazer com que o outro nos entenda, pois só existe comunicação humana quando há mais de uma pessoa. Cria-se assim, de cada lado dessa transmissão de informação, uma interpretação da mesma linguagem e daquilo que se que fazer entender. Mas e quando isso não dá certo? Quando você não é interpretado corretamente, o que fazer?
Antes de tentar responder ou só confundir mais sua cabeça, é bom que se defina o que é Linguagem. Linguagem, no sentido mais amplo do termo, é um sistema organizado de geração, organização e interpretação da informação. Ou seja, trata-se de um sistema que serve de meio de comunicação. A linguagem é entendida como a que se expressa não só pela lingüística, mas por outros signos [1], seja por meio da arte, da técnica de representação e de expressão gráfica, da imagem de um tema real ou imaginário em suas várias formas e objetivos: lúdico, artístico, científico, técnico ou pedagógico [2].
Entendido isso, não podemos nos esquecer de que assistimos, no final do século passado, a profundas mudanças científicas e tecnológicas, cujo imperativo colocou não só questões práticas para nossa vida cotidiana, mas também levantou novas problemáticas. Algumas delas estão relacionadas com novas linguagens operacionalizadas pela tecnologia. Estudiosos contemporâneos ainda afirmam que essas transformações estão criando uma nova cultura e modificando as formas de produção e apropriação dos saberes.
É necessário que se entenda que Linguagem não quer dizer apenas uma língua específica, como a Língua Portuguesa. Na verdade a Língua Portuguesa, como todas as outras que conhecemos, faz parte da Linguagem, o que significa que ela não é a única a dar base ou a representar, literalmente falando, o que se entende pelo termo.
Refletindo sobre a relação “linguagem, comunicação e cibercultura”, algumas perguntas podem emergir: que novas formas de construção e apropriação de saberes se anunciam? O que é ser leitor e escritor nessa nova era? Qual o papel da escola nesse processo?
Há pouco, um texto veiculado em correntes de e-mail e de autor desconhecido chamou a atenção da redação da Uninter.com. O texto que se intitula “Reforma ortográfica” dá uma visão, não muito distante, de algumas das transformações que estão sendo suscitadas atualmente, principalmente pela Internet:
Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo.
Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual. No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüência vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunciado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.
Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe. Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela",uza-çe o "J" pra facilitar ainda mais a vida da jente.
No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar. Alem diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komovirgulas dois pontos kraze aspas e traveçaum tambem çaum difíceis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.
No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do ”U” nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu. Os karioka talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de eskrever xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja eeskuliambaçaum.
No kinto ano akaba a ipokrizia de çe kolokar “R” no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem “U” ou “I” no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar “O” ou “E” em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ? os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.
Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempre çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us adivogado us eskrito us profeço i ate us politiko olia ço ki maravilia.
Um abraso!
O tal “internetês”, essa linguagem usada hoje nas relações promoivdas pela internet, não surgiu assim... do nada, como explica a Professora Msc. em Educação e professora de sociolingüística para professores de Língua Portuguesa, Laine de Andrade e Silva. A tendência é que as pessoas reduzam cada vez mais a escrita das palavras, como exemplo a palavra “você”, que hoje é “cê”, mas que já foi “vossa mercê”, “vósmecê” e “você”. Contudo, o fato de ser uma linguagem escrita mais ágil, não influencia significativamente na linguagem oral, bem como na linguagem escrita formal. O ser humano sabe como deve se portar em relação a seu interlocutor. Vide resultados das redações de vestibular, por exemplo, já que nem 10% delas apresentam influência significativa do “internetês” em suas composições lingüísticas.
Outros formatos lingüísticos também contam com suas transformações e inovações com a rápida renovação tecnológica. A mímica, o teatro, a imagem, a música, ou outras formas de linguagens visuais e corporais, são utilizadas, de forma competente para se transmitir uma idéia ou sensação. O último show do grupo musical U2 no Brasil foi um exemplo de envio de mensagens por meio de imagens, música e escrita. Enquanto a banda tocava uma música que tinha em sua letra um cunho de convocação política, no painel figuravam fotos do presidente americano George Bush e do brasileiro Lula. Visto isso, o povo também mandou sua mensagem, vaiando. Bem ou mal, todo mundo entendeu o recado de cada lado da conversa. E ninguém precisou utilizar códigos ortográficos.
Reconhece-se, sempre mais, a importância de se fazer entender e de saber se comunicar. É óbvio que saber escrever e falar é importante, contudo, saber interpretar outras formas de linguagem enriquece, além de nossa cultura, nosso cotidiano. A própria internet é um meio de linguagem muito mais visual do que verbal, já reparou?
Faça esse teste consigo mesmo, com aquilo que lhe pode ser monótono. Ou experimente, conheça, descubra novos tipos de linguagem, com o que, em algum lugar do passado, você já se deparou, mas não parou para tentar entendê-la.
Notas:
[1] Signo é a designação comum a qualquer objeto, forma ou fenômeno que remete para algo diferente de si mesmo e que é usado no lugar deste numa série de situações (a balança, significando a justiça; a cruz, simbolizando o cristianismo; a suástica, simbolizando o nazismo; uma faixa oblíqua, significando proibido [sinal de trânsito]; um conjunto de sons [palavras] designando coisas do mundo físico ou psíquico etc.)
[2] http://www.pucsp.br/pos/cos/cultura/conceito.htm