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 ISSN 1809-5496
Terça-Feira, 08 de Maio de 2007 - Boa Noite, Seja bem-vindo!   
Recordações eternas, lembranças únicas, saudades, amores, esperanças... Ah, as fotografias!

Redação

 

Derivada das palavras gregas photos (luz) e graphis (estilo, pincel) ou graphê (desenhar com luz,  desenhar), a fotografia é uma técnica de gravação por meios químicos, mecânicos ou digitais, de uma imagem numa camada de material sensível à exposição luminosa.

Segundo o professor Enio Leite, da Focus – Escola de Fotografia & Tecnologia Digital, “a Fotografia antes de tudo é uma linguagem. Um sistema de códigos verbais ou visuais, um instrumento visual de comunicação. E toda a linguagem nada mais é do que um suporte, um meio, uma base que sustenta aquilo que realmente deve ser dito: a mensagem.” 

Assim, a já tão conhecida fotografia, que completa mais de dois séculos de existência, ainda não é entendida integralmente por especialistas e pesquisadores da área. Hoje ela é base tecnológica, conceitual e ideológica para várias mídias contemporâneas e, por essa razão, compreendê-la consiste em entender e definir as estratégias semióticas* , os modelos de construção e percepção, as estruturas de sustentação de toda a produção contemporânea de signos visuais e auditivos, sobretudo daquela que se faz por meio de mediação técnica. Segundo Roland Barthes[1] a fotografia possui uma linguagem conotativa e denotativa (o óbvio e o obtuso). A linguagem denotativa é o óbvio: tudo o que se vê na fotografia, tudo que está evidente. O conotativo é o obtuso: toda a informação implícita na fotografia. O enquadramento da foto, o posicionamento da câmara mais para cima ou mais para baixo que dá noção de superioridade ou inferioridade... tudo isso corresponde às informações conotativas da fotografia, que geralmente revelam uma bagagem técnica, social e cultural do próprio fotógrafo.
A fotografia ainda pode ser classificada como tecnologia de confecção de imagens. Os cientistas usaram sua capacidade para fazer gravações precisas, como Eadweard Muybridge em seu estudo da locomoção humana e animal (1887). Artistas igualmente se interessaram por esse aspecto e também exploraram outros caminhos além da representação fotomecânica da realidade. As forças armadas, a polícia e forças de segurança usam a fotografia para vigilância, reconhecimento e armazenamento de dados.

Para o doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, Milton Chamarelli Filho, “nós representamos ‘algo’, se esse algo foi suficientemente subjetivado para nós. A fotografia, e as demais imagens técnicas condensam o quanto de subjetividade, ‘modelos de percepção e formas de pensamento’ foram investidos em seu processo de construção. (...) A fotografia, neste sentido, é um método, com o qual se observa a realidade.”

História da Fotografia
A primeira fotografia reconhecida é uma imagem produzida em 1826 por Nicéphore Niépce[2] numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo chamado betume da Judéia. Foi produzida com uma câmera, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luz solar. Em 1839, Jacques Daguerre[3] desenvolveu um processo usando prata numa placa de cobre denominado daguerreotipo. Quase simultaneamente, William Fox Talbot desenvolveu um diferente processo denominado calotipo, usando folhas de papel cobertas com cloreto de prata. Esse processo é muito parecido com o procedimento fotográfico em uso atualmente, pois também produz um negativo que pode ser reutilizado para produzir várias imagens positivas. Hippolyte Bayard também desenvolveu um método de fotografia, mas demorou para anunciar e não foi mais reconhecido como seu inventor.

O daguerreotipo tornou-se mais popular pois atendeu à demanda de retratos exigida pela classe média durante a Revolução Industrial. Essa demanda, que não podia ser suprida em volume nem em custo pela pintura a óleo, pode ter dado o impulso para o desenvolvimento da fotografia. Nenhuma das técnicas envolvidas (a câmara escura e a fotossensibilidade de sais de prata) foram descobertas do século XIX. A câmara escura era usada por artistas no século XVI, como ajuda para esboçar pinturas, e a fotossensibilidade de uma solução de nitrato de prata foi observada por Johann Schultze, em 1724.

Recentemente, os processos fotográficos modernos sofreram uma série de refinamentos e melhoramentos a partir dos estudos de William Fox Talbot. A fotografia foi disponibilizada para o mercado em massa em 1901 com a introdução da câmera Brownie-Kodak e, em especial, com a industrialização da produção e revelação do filme. Além de o filme colorido tornar-se padrão, o foco automático e a exposição automática, pouco foi alterado nos princípios desde então.
Hoje está se tornando comum a gravação digital de imagens, pois sensores eletrônicos ficam cada vez mais sensíveis e capazes de prover definição em comparação com os métodos químicos.

Fotografando
O mercado de serviços fotográficos prova o ditado: "uma figura vale mais que mil palavras". Revistas e jornais, companhias que as dispõem em sites, agências de publicidade e outros grupos pagam, e bem, por boas e bombásticas fotografias.

Muitas pessoas tiram fotografias por passatempo ou para propósitos comerciais. Contemporaneamente, vivemos a mesma mudança de paradigma que os fotógrafos do fim do século XIX. Em 1888, a Eastman Kodak criou o slogan: “você aperta o botão, nós fazemos o resto”. Todos que tinham uma câmera Kodak pensavam que eram fotógrafos. Hoje, pela facilidade que as câmeras digitais propiciam aos seus usuários, estes também pensam que basta apertar o botão e pronto. Mas é importante ressaltar que os fotógrafos profissionais não apenas tiram as fotos, mas as produzem.

Quando um determinado autor de fotografias baseia grande parte do seu rendimento nessa atividade, diz-se ser um fotógrafo profissional. Por vezes, o adjetivo profissional é usado erroneamente na fotografia para valorizar uma determinada imagem fotográfica ou perícia de um autor. Na realidade, a qualidade da fotografia nem sempre está relacionada com o fato do seu autor ser ou não profissional. Muitos amadores realizam, com regularidade, imagens mais bem sucedidas que muitos profissionais. Na realidade, "profissional" refere-se apenas à profissão do autor e não à qualidade do trabalho.

O adjetivo amador, quando atribuído a um fotógrafo, pode ter um significado muito vasto. Pessoas que apenas fotografam seus momentos de vida e de sua família, para uso pessoal, consideram-se fotógrafos amadores. Outros fotógrafos amadores chegam a publicar livros, realizar exposições e dedicam uma vida inteira ao estudo da fotografia.

Seja amador ou profissional, abaixo seguem algumas dicas que podem ajudar, e muito, os interessados na arte na hora de registrar um momento único. Que tal tentar começar com as festividades da Copa do Mundo ou das festas juninas, ou quem sabe da natureza neste início de inverno, ou ainda dos novos e velhos amigos que surgem dentro da faculdade neste semestre que está por vir?

As linhas de terço e os pontos áureos: ao dividir o retângulo do visor (e da imagem) em três partes horizontais e três verticais, obtêm-se as chamadas linhas de terço. Os cruzamentos dessas linhas definem pontos fundamentais da composição harmoniosa. Veja como:
Experimente fotografar o pôr-do-sol, posicionando o astro num dos 4 pontos áureos (o cruzamento das linhas de terço). Em contrapartida, posicione-o no centro do fotograma, como todo mundo faz. Compare as duas composições. Na primeira, o quadro passa a ser visto na totalidade. Na segunda, como o sol se encontra ao centro da composição, seus olhos se concentram nele, deixando em segundo plano o restante dos elementos.

Atenção redobrada com os fundos de sua foto: eles têm de ser neutros para não se confundirem com o motivo em primeiro plano. E não devem ser mais iluminados que seu tema.

Aproxime-se do motivo: não se deixe levar pela beleza do ambiente, se o objetivo é registrar um detalhe ou uma pessoa. Aproxime-se do motivo desejado. A maioria das fotos de iniciantes peca por deixar o motivo (normalmente um grupo de pessoas) muito longe da objetiva.

Cuidado com sombras: a melhor luz natural para se obter boas fotos é a da manhã e a do cair da tarde. O meio-dia, quando o sol está a pino, é a pior hora porque a diferença entre os claros e escuros, ou seja, o contraste fica muito acentuado. Como conseqüência, os rostos, por exemplo, ficam com sombras muito duras e desagradáveis.

Enquadramento: tente fugir do clichê de colocar o assunto sempre no meio da foto. Lembre-se de que, diante do motivo, todos os seus sentidos estão em ação: você sente o vento, os odores, tem noção clara de profundidade. Na foto nada disso é percebido. Por isso, procure ângulos diferentes. Experimente várias posições e opte por aquela que melhor traduz o que você está sentindo.

Dias nublados dão excelentes fotos: a luz filtrada pelas nuvens é excelente, quando o motivo apresenta contraste natural muito acentuado, porque ela suaviza esse contraste, criando efeitos surpreendentes. Experimente fotografar prédios ou árvores em dias bem nublados e até mesmo com neblina.

Evite o famoso "olha o passarinho": as melhores fotos de pessoas, principalmente de crianças, são feitas quando elas não estão posando. A maioria das pessoas perde a naturalidade diante de uma câmara. Portanto, fotografe-as quando estão entretidas em suas atividades naturais.

Flash desnecessário: lembre-se de que o flash tem um alcance limitado, de normalmente três a cinco metros, às vezes um pouco mais. Não adianta deixar o flash ligado em uma foto onde o foco é um objeto a 30 metros. Um bom exemplo de mau uso do flash são shows. Não é necessária luz extra alguma nesse caso. A luz do palco é mais do que suficiente para sua foto. Usar flash só vai iluminar as cabeças de quem está na sua frente, fazendo sumir o resto.

Flash necessário: um ambiente escuro não é o único lugar onde o flash é um acessório necessário. Em uma foto contra-luz, por exemplo, o flash pode ser usado como preenchimento. Quando você for tirar uma fotografia de alguém com uma fonte de luz ao fundo, como o sol, por exemplo, você pode notar que o sol vai ficar brilhante e somente a silhueta da pessoa vai aparecer. Nesse caso o flash irá suprir a falta de luz, deixando ambos visíveis.
 
Entretanto, não há melhor dica do que experimentar. O segredo da fotografia está na tentativa e erro. Leia o manual da sua câmera para saber tudo que ela é capaz e tente todas as configurações possíveis.

A fotografia, por ser muito subjetiva, não exige regras. O mais importante é aprender a dominar a luz, a velocidade e a sua câmera, e principalmente, treinar sua visão de fotógrafo. Depois disso, é só clicar por aí.


Notas:

*Semiótica vem do grego semeion, que significa signo, sinal. Semiótica é pois a ciência dos signos ( de acordo com Dicionário de Semiótica - GREIMAS, A. J. & COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. Trad. Alceu Dias Lima et al. São Paulo: Cultrix, s/d [1983].
a.E. Ling. Denominação utilizada, principalmente pelos autores norte-americanos, para a ciência geral do signo; semiologia.
[1] Barthes, Roland. Roland Barthes por Roland Barthes. São Paulo: Estação Liberdade, 2003.
[2] Joseph Nicéphore Niépce (7 de março de 1765 a 5 de julho de 1833) foi um inventor francês responsável por uma das primeiras fotografias. Niépce começou seus experimentos fotográficos em 1793, mas as imagens desapareciam rapidamente. Ele conseguiu imagens que demoraram a desaparecer em 1824 e o primeiro exemplo de uma imagem permanente, ainda existente, foi tirada em 1826. Ele chamava o processo de heliografia e demorava oito horas para gravar uma imagem.
[3] Louis-Jacques-Mandré Daguerre nasceu em 18 de novembro de 1787, em Cormeilles-en-Parisi, França e morreu em 10 de julho de 1851, em Bry-sur-Marbe, França. Daguerre era comerciante e pesquisador, foi o primeiro a conseguir uma imagem fixa pela ação direta da luz (1835 - o guarreotipo).

 

Referências:

Fujifilm. Disponível em <www.fujifilm.com.br>
Wikipédia – A enciclopédia livre. Disponível em <http://pt.wikipedia.org>


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